domingo, 13 de abril de 2008

Vamos ser sérios, por favor, ainda há tempo

Sei muito bem que os insultos pessoais fazem parte das nossas vidas, e que quanto mais cedo aprendermos a conviver com as intrujices maior será as nossas potencialidades. Hoje infelizmente, até o bom nome de JESUS, que segundo dizem se chamava de Emanuel, é insultado. Mas isso não pode servir de escudo ao insulto, ao achincalhamento, à injúria ao jogo sujo e aos métodos manipulativos que existem no sangue de alguns dos nossos políticos.

Discordo em absoluto com a forma como se insiste em continuar a fazer politica em Cabo Verde. Destruir ou assustar, intimidar ou difamar, associar com heresias e carimbar com ignomínia, são esses os tristes episódios que tenho assistido, desde a apresentação das mais diversas candidaturas para as eleições autárquicas.

Assistindo a tudo isso, fico até com a impressão de que no nosso país, não existe nenhuma diferença ideológica, o que existe são insultos que transformam os projectos políticos num circo ou numa arruaça.

As pessoas não são obrigadas a concordar umas com as outras, mas devem respeitar-se. O debate de ideias é de salutar, a ofensa não. Engana-se muito aquele que pensa que a ofensa pessoal é o caminho mais fácil para combater as ideias dos outros.

Não podemos dar tréguas a quem interpreta a política como um jogo onde pessoas devem ser destruídas. Não se deve facilitar a tarefa aos desbocados patrulheiros do pensamento politicamente correcto.

É muito fácil andar a insultar-se, mas por ser politicamente incorrecto, esse método não pode prevalecer nas nossas campanhas eleitorais. Não pode prevalecer porque fomenta o desrespeito generalizado no seio dos eleitores e após as eleições, “feitiço ka ta vrá somente contra feiticeiros, mas sim contra nós tudo”. Assim, mudemos radicalmente de ser e de agir, para que a política em Cabo Verde venha a ser, finalmente, das actividades mais nobres dos seres humanos. Vamos ser sérios, por favor, ainda há tempo.

Meus caros concorrentes à Câmara de Tarrafal, São Nicolau!

Sob pena de inquinar todo um projecto, alguém tem de ensinar como se deve fazer politica e eu, como sempre gostei de ensinar, essa vai ser a minha preocupação durante a nossa campanha eleitoral. Tarrafal precisa de todos nós. Se o vosso objectivo é de insultar para afastar quem tem pontos de vista diferentes, peço as minhas sinceras desculpas, pois não posso fazer essa vossa vontade. Por esse caminho não contem comigo, pois pretendo que em Tarrafal, sejamos um exemplo de civilidade.

A mim, à minha família, aos meus colegas e aos nossos apoiantes, podem insultar à vontade, pois por um lado, insultos não nos atingem, e análises vagas e ordinárias só comprovam a falta de argumentos políticos e quando vindos de ferozes adversários, os insultos políticos podem ser sempre usados como elogios, pelo menos por quem os recebe. Vão aprendendo essa lição, com aquele que já apelidam de “poeta desconhecido”.

1 comentário:

Victor Almeida disse...

Boas,
Spencer, estou plenamente de acordo com este teu projecto. Pois, já lá vai a época em que os comicios foram autenticas noites de diversão, onde as bocas "imundas" dos pregadores faziam rir à plateia.
Suscessos e que CV inteiro tome essa mesma postura, para que possamos finalmente, meter respeito pela pessoa humana na política.
Nos vemos por aí...
Vitu Almeida